sábado, 14 de fevereiro de 2009

Nebula - Heavy Psych[2008]


Stoner rock foi um subgênero criado no rock a partir dos anos 90. Inspirados pelo que de melhor se produziu no rock dos anos 70, as influências são claras para todo aquele que já ouviu Blue Cheer e The Stooges. È som lisérgico e urgente, definindo-se por riffs fortes e ganchudos e o uso sistemático de fuzz e wah-wah. Uma dessas bandas é o Nebula, surgida após a saída de três integrantes de outra grande banda do movimento, o Fu Manchu. Após 4 albuns de estúdio, vários eps e diversos blootegs eles voltaram agora em 2008 com uma pedrada: o EP Heavy Psych. Na verdade da formação orginal só sobrou o Eddie Glass, vocalista e guitarra solo e base. O Nebula sempre atuou como um Power trio que agora conta com Isaiah Mitchell no baixo e Tom Davies nas baquetas. Toda e qualquer semelhança com o primeiro Power trio da história: o Cream, não é mera coincidência, Eddie Glass encarna um Eric Clapton com mais push e menos bluesy. Neste ultimo álbum eles apostam numa sonoridade mais voltada ao rock psicodélico e ao space rock de bandas como Hawkind. Porém não abandonam o bom e velho hard rock.
São oito canções que ora nos faz embarcar numa viagem espacial, ora mexe nossa cabeça pra frente e pra trás acompanhando os excelentes riffs. Eddie Glass e seus comparsas nos mostram toda a força que ainda é possível obter com três instrumentos e algumas idéias na cabeça. A força expressiva do Nebula se mostra intocável, mesmo após a saída dos dois fundadores da banda, o baixista Isaiah Mitchell oriundo de outra banda maravilhosa desta cena(Earthless) segura a onda e junto com o baterista Tom Davies não deixam a peteca cair. È ouvir e ver do que estou falando. Um disco como Heavy Psych nos faz entender o porque é tão falso dizer que o rock não produz mais nada de relevante, O nébula desde a sua criação até agora, vem se apropriando de sonoridades e gêneros do rock e transformando-os em música de altíssima qualidade.

Você pode baixa-lo por aqui e tirar suas proprias conclusões: http://stonerobixxx.blogspot.com/2008/09/nebula-heavy-psych-ep-2008.html

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Jards Macalé


Minha relação com ele começou quando minha sogra teve um derrame e eu adorava! Adorava a sensação de ficar no hospital, é claro querendo que ela se recuperasse e voltasse a me encher o saco.... O caminho pro hospital era longo, Pernambués - Fazenda Grande era um verdadeiro martirio, já tinha experiência de um mês de HGE e agora Roberto Santos menos from hell. Meu discman era a salvação tanto pro trajeto quanto pras noites frias de acompanhante, e lá ia eu como a um pic-nic de boa, a cada noite uns discos diferentes, lá descobri Beatles, vi as "normalidades do sistema de saúde", enfim curti bastante. De madrugada no HGE, era muito interessante, eu encontrei um cara que trabalhou pro meu tio, quando meu tio alugou o taxi, e que se encontrava no HGE. Porém, como mendigo dormindo numa lanchonete em frente ao hospital, tinhamos conversas empolgadas na madrugada sobre politica, ele me contando que mal dizia a comida do prato do povo: - Comida ruim da desgraça!!! E os mendigos ou pobres que ali se encontravam se benziam... Enfim tinha de um tudo, meninas acompanhantes procurando namorados entre os seguranças e maqueiros. e eu ficava por lá cheio de pompa e circunstância, acompanhado da Genealogia da Moral, mal dizendo os cristãos que entravam na emergência com o fedor de morte, num lugar que clamava por vida! Numa dessas idas pro meu plantão, escutei Jards Macalé - 1972, album que tinha colocado pra baixar na saída da noite anterior. Simplesmente fantástco, tinha as nuances da Tropicalia porém com letras num viés existencialistas!E tinha todo o inconformismo com formulas que eu vinha e venho negando, Lanny Godin presente num excelente trabalho, tudo economico e com um push muito forte! Enfim um daqueles discos geniais que na primeira audição sabemos que vamos escuta´lo pela resto da vida. E diante destas circunstâncias, eu ficava ainda mais empolgado, minha sogra a esta altura já se recuperando bem e eu tomando café e fumando a noite toda enquanto o Jards cantava nos meus ouvidos:

Quando eu nasci,
Veio um anjo muito solto, muito louco
Veio ver a minha mão
Não era um anjo barroco era um anjo torto
Com asas de avião
E eis que o anjo me disse
Apertando a minha mão
Entre um sorriso de dentes
-Vai bicho desafinar, o coro dos contentes,
Vai bicho desafinar o coro dos contentes!

Palavras definitivas gravadas na carne e no espirito de forma indelevel!Obrigado Jards você deixou meus dias mais fortes!

Se você chegou até aqui e não sabe o que fazer pra ouvir esse disco, é simples: soulseek ou coloque no google: Jards Macalé 1972, ou se cadastre no excelente www.sombarato.org e baixe via torrent!!!

domingo, 18 de janeiro de 2009

A Imagem - Movimento de Gilles Deleuze


Pra quem precisa!!!!

“Gilles Deleuze nunca considerou escrever uma história do cinema. A imanência do seu próprio pensamento exigiu e orientou-o a adoptar um ponto de vista totalmente novo, porque a teoria do cinema não é uma história do cinema. Deleuze, além do interesse filosófico do cinema, que, aliás, mesmo Bergson tinha descurado, estava preocupado com uma classificação de imagens e de signos (Peirce) do cinema. Neste sentido, Cinema 1 (e, mais tarde, Cinema 2) tendem para uma descrição sincrónica. Deleuze expõe-nos, pois, uma classificação das imagens e dos signos cinematográficos. É uma tentativa de tipologia a que se agrega uma homenagem a Henri Bergson sob a forma de três teses sobre o movimento que vão contribuir, sobretudo, para a formação dum novo discurso. Serão lembradas Matière et mémoire e L’Évolution créatrice, principalmente, no sentido do cinema em vez da ciência. As quatro grandes variedades de movimento tomarão uma posição inicial, zarpando de filme em filme numa rota rizomática em que Deleuze nos conduz ao encontro de diferentes escolas de montagem. A Imagem-Acção aparece sob a forma de todo o cinema 'clássico’ mas é com a sua crise interna que Deleuze nos adverte do balanço das situações sensoriais motoras em benefício das situações ópticas e sonoras puras com que a Nova Vaga francesa nos vai fazer descobrir outras acções, inibidas ou com a sua pura feição erradia. Godard, Rivette ou Bresson são diferentes exemplos duma originalidade em que o cinema se deixa conjugar com o nome próprio, desenvolvendo objectos para um discurso, reacções que perdem o seu trajecto e descobrem uma nova trajectória, ou, então, o espaço ganha uma fragmentação substancialmente táctil. Em suma, o cinema neo-realista será a grande viragem desta produção moderna de que Deleuze se servirá para verificar uma amplificação do ponto de vista cerebral mas igualmente a renovação duma concepção do cérebro.”

Rafael Godinho

Link para download no rapidshare:


http://rapidshare.com/files/185769754/A_Imagem_Movimento.pdf

sábado, 20 de setembro de 2008

O Poeta Claudio Willer



POÉTICA

1

então é isso
quando achamos que vivemos estranhas experiências
a vida como um filme passando
ou faíscas saltando de um núcleo
não propriamente a experiência amorosa
porém aquilo que a precede
e que é ar
concretude carregada de tudo:
a cidade refluindo para sua hora noturna e todos indo para casa ou então marcando
encontros improváveis e absurdos, burburinho da multidão circulando pelo centro e
pelos bairros enquanto as lojas fechadas ainda estão iluminadas, os loucos discursando
pelas esquinas, a umidade da chuva que ainda não passou, até mesmo a lembrança da
noite anterior no quarto revolvendo-nos em carícias e mais nosso encontro na morna
escuridão de um bar - hora confessional, expondo as sucessivas camadas do que tem a
ver - onde a proximidade dos corpos confunde tudo, palavra e beijo, gesto e carícia
TUDO GRAVADO NO AR
e não o fazemos por vontade própria
porém por atavismo

2

a sensação de estar aí mesmo
harmonia não necessariamente cósmica
plenitude muito pouco mística
porém simples proximidade
da aberrante experiência de viver
algo como o calor
sentido ao estar junto de uma forja
(talvez eu devesse viajar, ou melhor, ser levado pela viagem, carregar tudo junto,
deixar-se conduzir consigo mesmo)
ao penetrar no opalino aquário
(isso tem a ver com estarmos juntos)
e sentir o mundo na temperatura do corpo
enquanto lá fora (longe, muito longe) tudo é outra coisa
então
o poema é despreocupação

Este é um album clássico, o encontro entre esses dois monstros sagrados do jazz, nos eleva a alturas não habituais. Vemos claramente a segurança e experiencia de Elligton no piano e a juventude e força inventida de Coltrane nos seus sempre inspirados solos. Aos amigos que estão vendo este post só desejo que baixem este album com urgência, o prazer é garantido!!!!

Aqui o link para baixar o album, copie e cole no seu navegador: http://sharebee.com/7c955069

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Depois daquele sopro!!!



Barossinho & Maracatamba - O Sopro Do Espírito[2001]


Depois do sopro de Barrosinho e Maracatamba, nunca mais serei o mesmo. Duvida? Então confira http://rapidshare.com/files/450185/barrosinho_maracatamba.rar.html

Depois de devidamente baixado e degustado(pelo menos inicialmente), confira esse belo texto:

O saxofonista dos saxofonistas John Coltrane, quando deu luz ao épico A Love Supreme, em 1964, iniciava no jazz um novo conceito, tanto nos improvisos que apresentavam uma liberdade única quanto nas composições, que para o idioma jazzístico tiveram a mesma importância dos experimentos progressistas de Stravinsky na música clássica.

No mesmo período, vários expoentes do mesmo instrumento e contemporâneos de Coltrane, como Clifford Jordan, Sam Rivers e Charlie House, não perseguiam a técnica enquanto foco central e sim como uma ferramenta para construir e desconstruir se necessário. Esse foi o ponto de partida musical e filosófico de uma veia importante do jazz pouco conhecida, o post-bop. Nela cabia o afro-jazz engajado do selo independente dos anos 70 nova-iorquino Strata-East - com Stanley Cowell, Charles Tolliver, Shamek Farrah, Bill Lee (o pai do cineasta Spike Lee, quer dizer... O Spike é que...). Na mesma corrente também atuavam o selo californiano Black Jazz - com Doug Carn, Henry Franklyn e Rudolph Johnson - e o Tribe, formado por músicos de Detroit - como Wendell Harrison e Phil Ranelin -, que participavam das gravações dos hits da Motown e se organizaram para um selo que não ''sugerisse'' a enésima rearmonização de Stella by starlight, mas um trabalho de assinatura, assim como vinha desenvolvendo o mentor espiritual dessa geração, Coltrane. Isso sem falar em John Handy, Randy Weston, Arthur Blythe, Anthony Braxton, Sonelius Smith e milhares de outros.

Leitura moderna - Na música brasileira, esse senso de improvisação e composição aparece, entre outros nomes, nos discos do nosso spiritual jazzy Victor Assis Brasil, passando por Nivaldo Ornellas, no final antológico de Beijo partido, do disco Minas, de Milton Nascimento - que tem uma das jóias do compositor, a instrumental-vocal Leila, com Edison Machado dando uma leitura moderna que Elvin Jones, baterista do quarteto de Coltrane, também daria -, até os paulistanos do Pé Ante Pé, em 1982, com um dos mais interessantes LPs de jazz lançados aqui, o não disponível em CD Imagens do inconsciente. A partir desse momento entramos na era ''Eletric Band'' ou ''Plastic Band' ou até ''Elastic Band'', onde o tecnicismo é a maior virtude e a influência asséptica da Berkley School of Music - que cada vez mais se mostrou indispensável - e os vários cursinhos que os americanos inventaram para transformar tudo e todos em jazzistas de canudinho na mão, prontos para integrar a última banda de Chick Corea, se tornaram fundamentais para a estética atual do jazz. É óbvio que o talento se beneficia da técnica, de Moacir Santos a Charles Mingus, só para citar dois gênios que podem realmente endossar esse famoso jargão universitário, mas o que se tem ouvido nos últimos anos é uma euforia olímpica onde o grande trunfo é uma ginástica musical de vencedores e perdedores. Fui ao cinema assistir a um documentário que me deu angústia imaginar que, para as ''cabeças incríveis'' (seriam os antigos formadores de opinião?), a única saída de inventividade na música eram dois toca-discos, um DJ arranhando os discos às vezes interessante, percussivo, original, mas...Calma, minha gente... A saída mesmo foi a livraria em frente, onde, completamente atordoado, tenho a felicidade de me deparar de cara com a cura: o CD O sopro do espírito, do trompetista Barrosinho.

Improvisação - Disco do Barrosinho na mão é dever de casa, aula de comportamento, conceito e o verdadeiro lifestyle do jazz. José Carlos Barroso, a voz ''avant-garde'' da banda Black Rio traz de volta um espírito de improvisação e composição que pareciam ser no mundo de hoje raras peças de museu, mas ufa! Finalmente.

A mão do compositor aqui transborda coerência e sabedoria, da primeira à última faixa não tem assunto jogado fora. Unção, o tema abre-alas do CD, com a tinta polirrítmica com que Barrosinho criou o Maracatamba - simbiose de samba, soul-jazz, afro 6/8 - e uma clave latina sutil que o baterista Jacutinga e os percussionistas Darcy da Serrinha e Dom Gravata pincelam no disco inteiro, me deixou de coração na boca logo. E o improviso do trompete já vem rasgando a emoção e imprimindo a carteira do fã-clube do mestre sem esquecer do solo melódico a la Lennie Tristano do pianista Tomas Improta. A seguinte, Cidade de Palha, parece que foi moldada para o estilo funky-brasileiro do baixista Carlos Pontual, que também tem grande momento no tema 6/8 Rio de jauleira. Os dias de chuva de qualquer um que tenha um coração no peito nunca mais serão os mesmos depois da balada Espírito Santo, um tema com o ambiente das composições do pós-hard-bop que Wayne Shorter adoraria tocar junto, com certeza, e eu já devo ter ouvido essa jóia do CD tantas vezes que o tema toca na minha jukebox mental involuntariamente, senhoras e senhores.

Genial - A sétima faixa do disco é, por coincidência ou não, um compasso 7/8 e esse tipo de sincronismo ou detalhe moldam a música genial de Barrosinho. Rosemary, que, com clima Black Rio-Duke Ellington, pode tanto extasiar os nossos ouvidos contemplativos quanto freqüentar os pubs londrinos ávidos e atentos por novos ''Rare-Grooves''. A complexidade rítmica dos Maracatambas é motivo de estudo para se entender a evolução da música afro-brasileira. Com influência da música européia, a híbrida Amay, com o dueto violão e trompete de Gabriel Improta e Barrosinho, emociona pela versatilidade inteligente da harmonia e da melodia presentes nas composições do CD. Fazendo um paralelo da importância do maestro Moacir Santos na música brasileira, assim como Gil Evans e Charles Mingus tiveram nos EUA, Barrosinho anda por outros trilhos, mas é John Coltrane puro, o que infelizmente com menos oportunidades de realização de uma obra tão importante. Coisas das quais o país do futebol deveria se envergonhar....

Quando se fala hoje em sentimento musical, o estereótipo de campanha publicitária com Joe Cocker cantando Unchain my heart num bar enfumaçado tem sido a adequação mais próxima de um evento em que a música não é a única expressão artística com dívidas com o sentimento. Barrosinho solando maravilhas no trompete conta, a cada inflexão, sua história e a falta que o sentimento vem fazendo nesses tempos em nossas vidas, e registra, sem sombra de dúvida, um dos melhores discos de jazz dos últimos tempos no mundo. Repito: mundo. O brasileiro tem sempre a mania de que beltrano é o melhor do Brasil porque parece que só podemos botar no altar, nas salas e cafés elegantes as fotos em preto e branco de mestres como Monk, Miles, Gillespie, Coltrane... Vamos fazer uma do Barrosinho porque ele pode e merece. O sopro do espírito é o sopro da esperança de que a música não morreu e tem um professor que pede passagem.
Ed Motta - 31/10/2001 publicado no Jornal do Brasil (Caderno B)
(reportagem copiada do Blog Br-Instrumental)http://br-instrumental.blogspot.com/

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Embaixo da escada


Foto Man Ray - A Lheure


Tive um amor, que nasceu em dia de morte
Morte de meu avô,
Diante do horror, fazer crescer a vida...
Proliferar-se no enrolar de corpos,
Como as palavras lutam, na folha
Por uma existência livre, por uma vida
E amor riscados-ensaiados
Por baixo da escada, que levava ao alto
Nós pregados ao chão, negando subidas
E o rosto dela era muito bonito...
Sinto agora aquele beijo!